N@ssif

 

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Dr. João Aldo Nassif

30/07/1.911 - 05/07/1.980

 

      Nascido em 30 de julho de 1911, em São João da Boa Vista, Estado de São Paulo, e falecido em 05 de julho de 1980, na cidade de Campinas, estado de São Paulo, mas ainda e sempre vivo em nossas mentes e corações.

      Filho de imigrantes árabes de origem libanesa, fazendeiros na região de São João da Boa Vista, estado de São Paulo, o quarto dentre os sete filhos do casal, sendo o terceiro já nascido em território brasileiro, tornou-se após 1929, com apenas 18 anos, cabeça e esteio da família a qual pertencia após uma época difícil que o obrigou a deixar seus interesses pessoais e estudantis de lado para iniciar-se no trabalho, com o intuito de colher o sustento, e com a responsabilidade na reconstrução financeira e psicológica de sua família, abatida pela perda de seu irmão mais velho Miguel de apenas 26 anos na época e na seqüência de sua mãe, seu pai e sua irmã Farid além de quase tudo que possuíam como fazendeiros de café na grande quebra das bolsas iniciadas pela Bolsa de Nova York, que levou o preço do café a quebrar todos os seus agricultores em todo território onde era cultivado.

      Ingressou no serviço público estadual, junto de seu irmão Elias, na Secretaria de Fazenda, na função de continuo (o menor cargo possível), para onde no futuro ainda junto de seu irmão Elias acabou levando os demais irmãos João e Antônio assim encaminhando-os dentro da nova realidade que vinham a conhecer.

      Dez anos depois, já reconhecido como expoente de cultura, interesse, responsabilidade, capacidade e honestidade acima de tudo na Secretaria de Fazenda, e já ocupando o cargo de fiscal ainda como responsável por sua família (irmãs e irmãos) mas já começando a colher os frutos de seu trabalho e portanto podendo retomar seus interesses estudantis, interesses estes dos quais jamais houvera se afastado, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco de onde saiu como bacharel em 1945, aos 34 anos, só não tendo seguido a carreira da magistratura pois lhe fora negado pelo estado o direito de receber sua remuneração (indispensável para seu sustendo e ainda de boa parte da família) e continuar fazendo os cursos os quais achava indispensáveis para sua preparação, inclusive cursos no exterior  (França) que reivindicou como sendo fundamentais para o exercício de um trabalho de tanta responsabilidade.

      Já como Delegado Regional de Fazenda, aos 38 anos (final dos anos 40), cargo máximo da carreira de um servidor público desta área, apenas abaixo do Secretário de Estado (este, cargo de confiança e não de carreira), passou por diversas regiões no interior do estado de São Paulo (anos 50 e 60), onde fora construindo um caminho de justiça e honestidade por onde passava, tendo sido requisitado e "emprestado" pelo governo do estado de São Paulo, aos governos do Paraná e Santa Catarina, para que com seu grande conhecimento jurídico e prático na área do direito público e tributário, amparasse estes dois estados da União na elaboração de suas leis fiscais e na construção de suas Secretarias estaduais de Fazenda.

      Conheceu o então promotor público Dr. Hélio Bicudo em Araçatuba (início dos anos 50), estado de São Paulo, onde ocupou o cargo de Delegado Regional de Fazenda, o qual se tornou seu amigo e confidente sendo que durante os anos que sucederam sempre se ajudaram na busca pela verdade e pelo respeito ao estado de direito, mesmo nas mais difíceis horas das mais difíceis épocas. Compadres nos seus casamentos, batismo de seus filhos e na luta pela construção de um país melhor, com menos diferenças e principalmente com mais "Justiça".

      Chegou ao topo de sua carreira, durante o governo do ilustre Carvalho Pinto, no qual fez parte do primeiro escalão encabeçando a administração da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo numa época em que competência, honestidade e respeito ao erário público eram as bandeiras deste governante e de seus assessores.

      Conhecido pêlos colegas e companheiros que durante o decorrer de sua vida pública, a sua carreira acompanharam, como primeiro a chegar na repartição e último a sair dela para que com esta postura pudesse apagar as luzes do local de trabalho e assim dar sempre o exemplo de respeito para com o dinheiro que administrava e seguramente tinha a consciência de que não detinha a propriedade sobre o mesmo, fato este que tornava inúmeras vezes maior e mais pesada a responsabilidade na sua gerência.

     Casou-se em janeiro de 1957, aos 45 anos de idade, com a então professora Dona Castorina F. Basto, filha de Dorival Ferraz Basto, mulher de fibra 18 anos mais nova que perdeu seu pai antes mesmo de nascer, pois este no intuito de salvar uma vida contraiu uma doença contagiosa e sem cura na época. Deixou 3 filhos deste feliz e saudoso matrimônio, Renato, Ana Maria e Heloisa Maria, além de infinitos amigos e muita saudade...

      Trabalhou até a sua última gota de saúde, lutando pela justiça que sempre acreditou existir acima de tudo e todos, independentemente de classe social, credo ou cor, quando no início da década de 70 foi aposentado compulsoriamente por motivo de saúde aos 63 anos de idade e 40 anos de funcionalismo público, motivo este aproveitado por seus rivais (homens públicos que atuam até hoje, como o deputado Delfim Neto) que já fortes naquela época queriam dividir a inabalável Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo para que com isso atendessem as suas necessidades políticas e pessoais, destruindo o trabalho de uma vida de muitos homens de fibra, inclusive este que viria a falecer alguns anos depois já não mais se sentindo como parte de um mundo tão deturpado e dominado pela ganância, arrogância e outros tipos de "âncias" onde o bom senso e o respeito humano são esquecidos e trocados pela sede de poder dos seus dirigentes e governantes...